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Norma nº 024/2013

Prevenção da Infeção do Local Cirúrgico

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PRÉ-OPERATÓRIO

  1. Procedimentos na preparação do doente:

    1. identificar e, tratar, todas as infeções associadas antes de cirurgia eletiva (IA e R);
    2. controlar os níveis de glicemia nos doentes diabéticos e, controlar o tabagismo (deixar de fumar no mínimo 30 dias antes da intervenção) (IB e R)
    3. não limitar as transfusões com o intuito de prevenir a infeção do local cirúrgico (IB);
    4. não realizar a tricotomia
    5. promover o banho do doente com solução antissética incluindo do couro cabeludo na véspera da cirurgia, e no dia da cirurgia (com pelo menos duas horas de antecedência) (IB e R);
    6. preparar a área da incisão cirúrgica para que esteja livre de contaminação visível antes da antissepsia cirúrgica (IB).
  2. Antissepsia das mãos/antebraços da equipa cirúrgica:

    1. manter as unhas curtas, limpas, sem verniz ou adereços artificiais (IA/AR);
    2. escovar as unhas apenas antes da primeira intervenção do dia (II);
    3. não usar adornos (pulseiras, anéis, entre outros) durante a cirurgia (II);
    4. proceder à desinfeção cirúrgica das mãos com a solução, antissética de base alcoólica (ter em conta o tempo de desinfeção de acordo com o antissético), incidindo nas mãos e antebraços até aos cotovelos (IB e AR);
    5. após a desinfeção, manter os cotovelos em flexão e as mãos afastadas do corpo, de modo a que a água escorra das mãos em direção aos cotovelos.
    6. no caso da utilização de solução antissética aquosa, secar as mãos e antebraços com toalhete estéril (um para cada membro), vestir bata e calçar luvas estéreis (IB);
  3. Profissionais com colonização ou infeção:

    1. consultar o Serviço de Saúde Ocupacional para determinar a necessidade de os profissionais com sinais ou sintomas de doenças infeciosas transmissíveis, suspender a atividade até à sua resolução (IB)
    2. obter culturas de lesões cutâneas exsudativas dos profissionais e não permitir o retorno ao trabalho, até que a infeção seja tratada (IB);
    3. não excluir os profissionais colonizados com Staphylococcus aureus ou Streptococcus do grupo A, a não ser que sejam identificados como estando na origem de surtos de infecção por estes agentes (IB).
  4. Profilaxia antimicrobiana: Consultar a Norma sobre Profilaxia Antibiótica Cirúrgica.

INTRA-OPERATÓRIO

  1. Preparar a pele do local da incisão com um antissético de base alcoólica (IA);

  2. Nos doentes submetidos a cirurgia com anestesia geral e ventilação mecânica, fornecer oxigénio durante todo o período peri-operatório, de acordo com as necessidades individuais (IA e AR). O aporte de O2 deve ter como objetivo a manutenção de saturação de oxigénio acima de 98%;

  3. Manter a normotermia durante o período peri-operatório (IA e AR).

  4. Em doentes diabéticos e não diabéticos, confirmar que o nível de glicemia do doente se mantém abaixo dos 200mg/dL durante toda a cirurgia (IA);

  5. Não usar irrigação com iodóforos aquosos antes do encerramento da incisão (IB);

  6. Não utilizar antisséticos tópicos locais antes ou logo após o encerramento da incisão, como medida de prevenção da infeção do local cirúrgico (IA).

  7. Esterilização de instrumentos cirúrgicos

    1. processar os instrumentos cirúrgicos de acordo com as normas em vigor, de modo a garantir as melhores práticas clínicas (considerar a classificação de Spaulding para o processamento do instrumental cirúrgico, as suas características e as instruções do fabricante). A metodologia de limpeza dos materiais de microcirurgia, deve ser complementada com a utilização de tinas de ultrassons (IB e AR);
    2. Fazer a esterilização flash (ex.: esterilização rápida em esterilizador de bancada) apenas para os artigos que vão ter utilização imediata. Não utilizar a esterilização flash por conveniência, como alternativa para a compra de mais um conjunto de instrumentos, ou para poupar tempo. Um processo abreviado de esterilização é aceitável apenas para os artigos que vão ter utilização imediata, sendo cumpridos todos os passos anteriores ao processo de esterilização em si mesmo (lavagem, desinfeção, verificação e empacotamento apropriado) e efectuada a transferência do instrumental cirúrgico em condições asséticas (IB).
    3. Deve ser aplicado o Despacho 7021/2013 sob reprocessamento de dispositivos médicos de uso único.
  8. Vestuário e campos cirúrgicos:

    1. Utilizar máscara cirúrgica que cubra totalmente a boca e o nariz nas áreas restritas. Mantê-la sempre colocada se entrar na sala de operações, durante a preparação assética de dispositivos médicos esterilizados, em qualquer altura em que os mesmos estão expostos, ou se permanecer na sala durante toda a intervenção cirúrgica (ib e r);
    2. Utilizar barrete que cubra totalmente todo o cabelo e cobertura para a barba em todas as áreas restritas e semi-restritas (ib);
    3. Não utilizar cobertura nos sapatos com o objetivo de prevenir a infeção (o bloco deve ter calçado próprio que deve ser sujeito a lavagem/desinfeção térmica diária em máquina) (ib);
    4. Utilizar luvas estéreis se integrar a equipa cirúrgica. Calçar as luvas sempre depois de vestir a bata (ib e ar);
    5. Utilizar batas e campos que sejam barreiras físicas eficazes quando molhadas (en 13795) (ib e r);
    6. Utilizar materiais resistentes à penetração bacteriana, em seco e em húmido (en 13795);
    7. Respeitar a técnica assética na colocação de campos. Não reposicionar os campos;
    8. Substituir os fatos quando molhados, contaminados por sangue ou outras matérias potencialmente infecciosas (IB).
  9. Assepsia e técnica cirúrgica

    1. Cumprir os princípios de assépsia na colocação de dispositivos intravasculares (p.ex. Cateteres venosos centrais), cateteres anestésicos e epidurais ou na administração de fármacos endovenosos) (ia);
    2. Manipular os tecidos com suavidade, manter uma hemostase eficaz, minimizar o tecido desvitalizado e corpos estranhos (p. Ex. Suturas, resíduos necróticos) e erradicar os espaços mortos no local cirúrgico (ib);
    3. Quando o cirurgião considerar que existe contaminação significativa do local cirúrgico fazer encerramento primário retardado ou deixar a incisão encerrar por segunda intenção (ib);
    4. Se for necessário colocar drenos, utilizar drenagem em circuito fechado. Colocar o dreno através de incisão separada, distante da incisão operatória. Remover o dreno logo que possível (ib);
    5. Aplicar antissético no local cirúrgico com movimentos concêntricos, do centro para a periferia, cobrindo uma área suficientemente extensa para permitir alargamento da incisão ou colocação de drenos (II);
    6. Preparar o equipamento e soluções estéreis imediatamente antes da sua utilização (II);
    7. Melhorar oxigenação dos espaços da ferida (II).

CUIDADOS INCISIONAIS NO PÓS-OPERATÓRIO

  1. Proteger a incisão encerrada primariamente, com penso estéril e técnica assética, durante as primeiras 48 horas (IB).
  2. Higienizar as mãos antes e após as mudanças de penso, ou de qualquer contacto com o local da incisão (IB).
  3. Quando for necessário fazer penso, substituir o mesmo com técnica assética (II).
  4. Fazer ensino ao doente e família no que respeita aos cuidados apropriados ao local de incisão, sintomas de infeção e à necessidade de comunicar o seu aparecimento (quer ainda no internamento, quer após a alta) (II).
  5. Enviar carta de alta ao médico de família (se o doente vai ser seguido no domicílio) ou ao médico da unidade de cuidados continuados integrados (se o doente for transferido para uma destas Unidades), solicitando a informação de retorno ao Hospital (dirigido à comissão de controlo de infeção e de resistência aos antimicrobianos), se surgir infeção pós-alta. Esta informação é fundamental para garantir a fiabilidade dos dados da vigilância epidemiológica da infeção do local cirúrgico (ILC).

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

  1. É obrigatório fazer vigilância epidemiológica dos procedimentos cirúrgicos mais frequentes e de maior risco (IB)
  2. Divulgar os resultados a todos os profissionais que integram as equipas cirúrgicas. (IB).
  3. Para registo de vigilância epidemiológica de ILC, utilizar o programa HAI-SSI do ECDC, IH-ILC na versão portuguesa, anteriormente designada de HELICS-Cirurgia, disponível na plataforma www.insa-rios.org,
  4. Definir a classe de ferida cirúrgica no final de cada intervenção, bem como, o registo do tempo de duração da cirurgia em minutos. A definição da classe da ferida cirúrgica (Anexo II) deve ser feita por um elemento da equipa cirúrgica e ficar registada no processo clínico (II).
  5. Garantir comunicação/articulação entre Centros de Saúde (CS)/ACES e hospital, e entre as UCCI e o hospital, nomeadamente entre clínico que identifica a ILC no CS/ACES e o GCL-PPCIRA no hospital (II).

CRITÉRIOS DE SUPORTE À APLICAÇÃO DA NORMA
A. Os serviços prestadores de cuidados de saúde, nomeadamente hospitais, agrupamentos de centros de saúde (ACES) e UCCI devem divulgar as orientações de boas práticas para a Prevenção de Infeção do Local Cirúrgico e promover a Segurança do Doente, através da elaboração de um manual de procedimentos, tendo em conta a realidade das unidades de saúde;
B. Os GCL-PPCIRA devem colaborar com os prestadores de cuidados no planeamento, implementação e monitorização das práticas de prevenção da infeção do local cirúrgico;
C. Calcular periodicamente as taxas de infeção por intervenções específicas, estratificadas pelas variáveis apontadas como associadas ao aumento de risco (IB) Divulgar os resultados por serviço, por cirurgião e por cirurgia específica (R). A frequência da divulgação será determinada pelo tamanho das amostras e os objetivos locais de melhoria de qualidade (IB).
D. Nos doentes submetidos a cirurgia com anestesia geral e ventilação mecânica, fornecer oxigénio durante todo o período peri-operatório, de acordo com as necessidades individuais (IA e AR). Caso a situação clínica do doente permita, o aporte de O2 deve ter como objetivo a manutenção de saturação de oxigénio acima de 98%;
E. Se identificação de ILC em consulta extra-hospitalar (Centro de Saúde, USF, ACES, Unidade de Cuidados Continuados - UCCI ou médico privado), a informação terá de ser veiculada para o GCL - PPCIRA do hospital onde foi realizada a cirurgia.

fluxograma da norma
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